segunda-feira, 22 de agosto de 2016

SINCRETISMO RELIGIOSO NA UMBANDA

Este termo (sincretismo), é bastante usado quando se trata de religiões afro-brasileiras, e significa uma miscigenação e conciliação de princípios, doutrinas e crenças de diversas práticas religiosas que resulta um processo evolutivo de muitas outras.
A umbanda, por ter recebido influências de diversas culturas, não é uma religião engessada, sendo uma fusão de elementos das religiosidades africana, indígena, espírita (Kardecismo), e católica.
O sincretismo religioso existente na umbanda dá-se devido a fatores histórico-culturais presentes na história do Brasil.
Durante o Brasil Colônia, os índios brasileiros e os negros eram mantidos como escravos.
Eram proibidos de expressar, cultuar ou fazer ritos de acordo com suas próprias crenças religiosas por conta dos preconceitos (e medos) dos seus senhores, e tinham que fingir e “aceitar” a imposição da religião Católica, pois a missão Jesuíta era impor isso a eles, para que todas as impurezas de espírito fossem retiradas dos “não-civilizados”.
Muitos deles, ao demonstrarem essa não-aceitação ao catolicismo, acabavam sendo severamente castigados.
Não satisfeitos em dar continuidade às suas crenças de forma silenciosa, a saída encontrada pelos escravos foi associar os orixás aos santos católicos que melhor pudessem representar cada divindade. Desta forma sábia, eles puderam contornar a ignorância e a intolerância a eles impostas e assim surgiu o sincretismo que permanece até os dias de hoje.
A representação dos orixás através dos santos católicos pode sofrer variações de cidade para cidade, mas o importante é que se tenha em mente as características e essência de cada orixá.

Veja os principais santos na Umbanda:

•Oxalá – Jesus Cristo
•Oiá – Santa Clara
•Oxum – Nossa Senhora Aparecida
•Oxumaré – São Bartolomeu
•Oxóssi – São Sebastião
•Obá – Santa Joana D'Arc
•Xangô – São Jerônimo
•Ogum – São Jorge
•Iansã – Santa Bárbara
•Obaluaê – São Lázaro
•Omulú – São Roque
•Iemanjá – Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora dos Navegantes

•Nanã – Santa Ana.

Fonte da matéria: a Internet.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

O PAI DA UMBANDA
Jorge César Pereira Nunes
02/12/2008

Considerada por muitos como a única religião verdadeiramente brasileira, por reunir elementos da cultura indígena, africana e européia, a umbanda completou seu primeiro centenário em 2008.
Apesar disso, o culto ainda é visto com maus olhos por alguns líderes protestantes. A discriminação sofrida pelos umbandistas não é de hoje e está na própria raiz da religião, como atesta a história de Zélio Fernandino de Moraes.
Jovem de uma tradicional família de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro, Zélio completou 17 anos em abril de 1908. Preparava-se para prestar exames para a Escola Naval, quando uma estranha paralisia pôs fim a seus planos. Renomados médicos foram chamados e iniciaram uma série de tratamentos, mas nenhum deles conseguia diagnosticar a doença do rapaz e seu estado de saúde só se agravava.
A partir de outubro, Zélio começou a falar palavras sem nexo, teve visões e apresentou quadro de aparente perturbação mental. Sem sucesso, outros clínicos buscavam cura para os males. Seria difícil imaginar que a solução viria do próprio enfermo. Em novembro, Zélio anunciou a seus pais que voltaria a andar. De fato, um dia depois do aviso, ele estava novamente em pé. Os sinais tidos como distúrbio da mente, no entanto, permaneciam.
Muito católica, a família recorreu então aos padres, que aconselharam o retorno aos tratamentos médicos especializados. Por sua vez, suspeitando de uma obsessão espiritual, um vizinho recomendou levá-lo à Federação Espírita do Estado do Rio de Janeiro. A instituição fora fundada em 1907 em Niterói, onde funciona até hoje.
Durante uma reunião com o presidente e outros membros da Federação, o jovem incorporou um caboclo e foi recriminado pelo dirigente da mesa devido ao "atraso espiritual" desta alma. Zélio protestou e anunciou que, no dia seguinte, seria iniciada uma nova religião, "em que esses pretos e esses índios poderão dar a sua mensagem, e assim cumprir a sua missão".
Assim, na noite de 16 de novembro, uma multidão aglomerava-se na Rua Floriano Peixoto, no bairro de Neves, em São Gonçalo. Todos aguardavam Zélio que, em breve, fundaria a Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Piedade. A espera não foi em vão: nascia ali uma nova religião.
Zélio nunca explicou a razão da palavra “umbanda”, embora ele tenha vivido até 1975. Por isso, historiadores divergem sobre sua procedência, mas a imensa maioria acredita que ela decorra do vocábulo “m’banda”, usada pelas tribos Quimbundo, da África, para designar os seus sacerdotes, e que era também uma palavra sagrada dos índios tupis. Portanto, uma tradução livre indicaria “Tenda de Sacerdotes”.
Sua criação foi seguida, no mesmo ato, de algumas regras básicas e simples, tais como o uso apenas de roupas brancas, ter como adereço somente uma fita da cor do orixá ou do santo do dia comemorado, não receber nenhuma recompensa dos que recorrem à Umbanda, não praticar sacrifício de animais e fazer da caridade a prática permanente segundo o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Em 1918, Zélio criou sete novas tendas. Apenas uma delas ficou no distrito de Neves, pois a maioria foi para o Rio de Janeiro, capital do país na época, o que pode ter contribuído para a expansão da crença por todo território nacional.
Zélio, entretanto, não se dedicava apenas à umbanda. Como era norma não receber recompensa pelo bem distribuído, também trabalhava como comerciante. Em 1924, fez uma incursão na política e foi eleito vereador. Três anos depois, foi reeleito e escolhido por seus pares para ser secretário do Legislativo gonçalense. No poder público, dedicava-se principalmente à difusão de escolas públicas, tanto que ele mesmo criara uma, gratuita, de curso primário, em seu centro espírita para atender as crianças de Neves.
Casado com dona Isabel de Moraes, teve duas filhas, Zélia e Zilméia, às quais passou a direção da tenda original em 1963. Zélio faleceu no dia 3 de outubro de 1975 em Cachoeiras de Macacu, no Rio de Janeiro. Como homenagem, a Câmara Municipal de São Gonçalo batizou com seu nome uma rua no bairro de Mangueira.

CONSIDEREÇÕES FAMILIÁRES
Leonardo Cunha
12/09/2014

Amigos fraternos, Nós da família de Zélio de Moraes, sempre nos sentiremos imensamente honrados e agradecidos por qualquer manifestação respeitosa que ajude na divulgação do trabalho de meu bisavô como médium do Caboclo das Sete Encruzilhadas e da história da Umbanda, para nós, sempre associada à própria história de nossa família.
Sem querer fazer qualquer crítica ao autor do texto, mas tão somente me manifestar a título de esclarecimento em relação ao conteúdo apresentado, farei considerações que considero importantes para aperfeiçoá-lo. Falo como testemunha de algumas poucas, porém marcantes, histórias e como ouvinte atento das falas de meu bisavô, com quem convivi, de forma intensa, até o seu desencarne. E também como conhecedor de outras tantas, narradas por meus avós (todos membros da TENSP), tios-avós e de meus pais (idem), que presenciaram muitas delas.
Minhas considerações são as seguintes:
1º - Não é verdade que Zélio nunca tenha explicado a razão da palavra “umbanda”. Na verdade, o “Chefe”, como o Caboclo das Sete Encruzilhadas era chamado em nossa tenda (Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, ou simplesmente, TENSP), explicou que o nome original seria Allabanda, como pode ser ouvido na voz do próprio Zélio, numa das fitas gravadas por Lilia Ribeiro em 1971, em entrevista para o periódico umbandista, “Macaia”, tendo o seguinte significado: Allah (Deus)+banda (ao lado), ou seja, a “Deus ao lado” ou “Deus conosco”.
Na mesma gravação, ele explica que em razão da sonoridade não ter sido considerada ideal, a expressão original foi alterada para Aumbanda, evoluindo para a forma Umbanda, mantendo, porém, o mesmo significado. Em nosso entendimento, o fato de haver vocábulos semelhantes em outras línguas, seja em quimbundo, tupi, sânscrito, ou qualquer outra, pouco significa; servindo tão somente para inúmeras conjecturas e teorias. Para entender nosso pensamento, bastaria considerarmos a quantidade de palavras existentes no português do Brasil e no de Portugal, não apenas com sonoridade semelhante, mas com grafia exatamente igual, dotadas de significados completamente díspares.
Peço que não tomem tal visão como arrogância ou coisa similar, mas tão somente como respeito à fala daquele que é reconhecido como o médium através do qual foi criada a Umbanda. Se o Caboclo das Sete Encruzilhadas é respeitado como o fundador da Umbanda e Zélio como o médium que recebeu esta entidade, por que devemos duvidar de suas palavras?
Além do significado etimológico explicado acima, o “Chefe” sempre disse que a Umbanda “era a manifestação do espírito para a (prática da) caridade”. Esta era a sua essência, a razão de sua existência. Numa outra abordagem, que funcionava como uma espécie de “bandeira” ou lema, dizia que Umbanda era “humildade, amor e caridade”.
2º - Em relação às roupas brancas (que deveria ser a mais simples possível), a informação está correta, mas as fitas coloridas eram apenas de duas cores, nada tendo a ver com orixás ou santos do dia.
As cores usadas nas fitas eram, ou melhor, são (já que as usamos até hoje): Fitas verdes: para cambonos cruzados. Fitas vermelhas: para médiuns já desenvolvidos (ou seja, aptos a receber entidades). Importante dizer que o uso destas fitas não tem conotação hierárquica, representando apenas a função desempenhada no terreiro. Cambonos e médiuns iniciantes não usam fitas e médiuns em desenvolvimento avançado usam uma fitinha vermelha fixada por alfinete no jaleco (antes usávamos camisas) dos homens e no vestido (branco e de algodão, muito singelo) das mulheres.
Além disso, usamos nas sessões (como chamamos nossas reuniões), sejam as festivas ou de caridade, as “guias” (cordões de contas coloridas), que poderiam ser entendidas como adereços, mas que na verdade têm função prática (fluídica) e não estética. Servindo para defesa e proteção dos filhos da casa. Essas guias sim, são associadas aos orixás ou às entidades, de alguma forma, vinculadas ao membro da tenda, sejam eles trabalhadores do terreiro ou participantes da assistência (com até hoje chamamos os que buscam nossa casa para se consultar ou receber passes). Seu uso fora do terreiro é facultativo, sendo comum o uso diário da guia com a qual a pessoa mais se identifica ou se sente protegida.
3º - As 7 novas tendas foram criadas não em 1918, mas entre esse ano e 1935.
4º - No ano de 1940, a TENSP deixa Neves no Município de São Gonçalo e também se instala na região central da então capital da República, Rio de Janeiro, mudando várias vezes de endereço, ao sabor da dinâmica urbanística da cidade.
5º - Foi casado com Maria Isabel de Moraes e tiveram 4 filhos: Zélio Morse de Moraes, Zélia de Moraes Lacerda, Zilméa Moraes da Cunha e Zarcy Morse de Moraes.
6º - A direção da TENSP foi passada à Zélia em 1967, com Zilméa se dedicando mais ao trabalho espiritual. Zilméa só passaria a dirigir a Tenda após a passagem de Zélia em 2000. Por último gostaria de fazer um reparo não ao texto, mas ao comentário da irmã Neusa Maria, que se refere ao Caboclo das Sete Encruzilhadas como um “EXÚ poderoso”... O “Chefe” era um caboclo da linha de Oxossi apesar do nome, que pode tê-la induzido ao erro. Escolhido para significar que para ele “não existiriam caminhos fechados”.

Espero ter ajudado.
Um grande abraço a todos e que Oxalá os abençoe.

Leonardo Cunha.


Matéria da Revista História. - http://www.revistadehistoria.com.br

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

CARTA MAGNA DE UMBANDA
1. Umbanda é uma religião espiritualista de doutrina afro- indígena-euro-brasileira;
2. É uma religião monoteísta, que crê na existência de um Deus único, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, eterno onipotente, onipresente, soberanamente bom e justo;
3. A Umbanda crê e cultua de forma própria os Orixás Africanos sincretizados com os Santos Católicos, Guias e Mentores Espirituais que, como ministros de Deus, zelam e auxiliam na realização de Sua obra;
4. A Umbanda crê na reencarnação e na incorporação das entidades espirituais, em vidas sucessivas, no aprimoramento espiritual e aperfeiçoamento do ser humano para conduzi-lo a Deus;
5. O espírito denominado Caboclo das Sete Encruzilhadas, incorporado no médium Zélio Fernandino de Moraes no dia 15 de novembro de 1908, em São Gonçalo, Neves, Niterói, RJ – data que reconhecemos como sendo o nascimento da Umbanda - anunciou:
“Com os espíritos evoluídos e adiantados aprenderemos; aos atrasados ensinaremos e a nenhum negaremos uma oportunidade de comunicação”;
6. A Umbanda considera a natureza com tudo que ela encerra como a obra máxima do Criador, sendo o altar de Deus – o lugar onde se pode com Ele conversar, porquanto, preservar a natureza é obrigação de fé de cada umbandista;
7. A Umbanda é uma religião sincrética fruto da cultura religiosa de três segmentos: branco do elemento europeu, colonizador; negro – escravizado na África para laborar na terra e o indígena que já ocupava esta terra, portanto, não admite qualquer forma de preconceito, discriminação ou intolerância;
8. A Umbanda tem liturgia e ritos próprios derivados da diversidade de raças e culturas que a fundamentam.
9.São práticas litúrgicas umbandistas:
9.1 - A preparação e formação mediúnica e sacerdotal;
9.2 - O Batismo;
9.3 - O Casamento;
9.4 - Os Ritos Fúnebres.
10. Constituem símbolos da Umbanda:
10.1 - O Hino a Umbanda;
10.2 - A Bandeira da Umbanda;
10.3 - O Juramento Umbandista.
11. Sendo a Umbanda a manifestação do espírito para a prática da caridade, deverá sempre ser exercida sem remuneração, salvaguardada a sustentação financeira da organização religiosa;
12. O adepto da religião de Umbanda deve sempre seguir a ética religiosa e a lei dos homens;
13. Todo irmão umbandista que desejar fazer parte do corpo mediúnico de um Templo deverá prestar o “Juramento Umbandista”;
14. A Umbanda defende uma sociedade em que todas as religiões sejam igualmente respeitadas, a promoção da tolerância como princípio republicano e a preservação da educação pública laica;
15. A Umbanda será sempre uma casa de portas abertas para todos;
Justos e perfeitos, os subscritores desta, a qual estará aberta a adesões, reafirmam o compromisso permanente com o engrandecimento da Umbanda e seus valores magnos.

São Paulo, 13 de novembro de 2015.

Federação Umbandista do Grande ABC

Babalaô: Ronaldo Antonio Linares

AGENDA DE AGOSTO



Somos um grupo de Umbandistas, em busca do conhecimento, da prática mediúnica e da caridade sem limites.
O estudo e a prática de terreiro serão as nossas virtudes.
Buscamos administrar uma casa de trabalho dos espíritos para os espíritos trabalharem na caridade.
Dissidentes de outra casa que ajudamos a montar, após 3 anos, por pedidos de amigos e seguidores do Caboclo Sete Flexas de Oxóssi, do Velho Quim Pescador, do Exu Meia Noite do Ossário e demais entidades por mim recebidas mediunicamente e, recebendo a incumbência e a autorização de abrir uma casa que seguisse a doutrina Umbandista, a caridade pura e igualitária para quem a procurasse, eu, juntamente com estas pessoas e mais alguns amigos, aqui estamos, promovendo aquilo que mais queremos e fomos autorizados a fazer.
Quer saber quem foi e quem é este Velho Quim Pescador?
Você está convidado a conhecê-lo e a esta casa.
Venha nos visitar.
José Carlos Mathias
Orientador Espiritual do Templo Escola de Umbanda

Casa do Velho Quim Pescador.